Clara levou tudo de si,
todo o amor,
toda dúvida,
suas ansiedades,
a esperança
de tê-lo
ainda vivo
(...)
Clara voltou com sua bagagem,
sem dúvidas,
sem ansiedade
e com a certeza
de que não havia mais nada ali,
nada que ela pudesse levar
Só aquela agonia,
que ela levou em dobro
{carla kassis}
Março de 2013
quarta-feira, 13 de março de 2013
sexta-feira, 8 de março de 2013
O porto e a Clara
- Que dia você vai ancorar por aqui?
Essa era a frase que Clara mais ouvia durante aquelas longas conversas.
No dia em que chegou ao porto,
não viu ninguém,
Eram apenas palavras
ao vento.
carla kassis
{março de 2013}
Essa era a frase que Clara mais ouvia durante aquelas longas conversas.
No dia em que chegou ao porto,
não viu ninguém,
Eram apenas palavras
ao vento.
carla kassis
{março de 2013}
Uma história sobre Lúcia
Lúcia acordou cedo. O sol mal despontou, e ela já estava organizando papéis e pastas para encarar o dia. Uma xícara velha sobre a mesa e pão dormido.
Ela tomava o café enquanto os minutos corriam naquela manhã silenciosa. Refletia sobre a jornada que teria. Tomava goles secos. Um olhar vazio. Pensou em cada “não” que receberia. Juntou a papelada. Pegou a primeira condução e saiu.
O olhar de Lúcia diante das pessoas era desesperador. Nas mãos a foto do irmão debilitado no leito do hospital. Da família que mal conheceu, só restara este. Sem trabalho, a mulher caminha por entre as ruas quase sempre abarrotada, e conversa com um e com outro.
Ela repetia a história inúmeras vezes. Entre uma abordagem e outra, moedas, o sim, o não e os olhares frios. O dia chegava ao fim e as lágrimas de Lúcia também. Voltava pra casa apertada no meio do ônibus.
A foto do irmão suava nas mãos dela, quase como um amuleto. Lúcia vai descendo a ladeira em passos lentos. Duas mulheres a esperam a porta de sua casa. Janaína e Francisca bateram o portão do casebre e entraram com a mulher em silêncio.
Sentadas junto à mesa velha e suja jogaram seus papeis por cima. Cada uma pegou seu saco de moedas e organizadamente separavam o que arrecadaram no dia. Era um momento sagrado a divisão do lucro.
Lúcia ascendeu um cigarro, jogou a foto fora e pensou na próxima história para o dia seguinte.
Carla Kassis
{novembro de 2011}
-coisas que vemos nela -
Há um ser especial,
uma caixinha de música,
um som de paz
Calmaria, suavidade
risos, lágrimas e mãos dadas
recordações, desejos
Há um ser especial,
uma menina,
uma mulher
dedicado para Elen Cris
Carla Kassis
{outubro de 2011}
uma caixinha de música,
um som de paz
Calmaria, suavidade
risos, lágrimas e mãos dadas
recordações, desejos
Há um ser especial,
uma menina,
uma mulher
dedicado para Elen Cris
Carla Kassis
{outubro de 2011}
---
e inevitável não tê-la por perto,
nos surpreendemos quando ela chega,
ficamos ainda mais estáticos quando ela demora aparecer,
causa arrepios,
a mudança é algo que nos amadurece,
sempre.
carla kassis
{Fevereiro de 2012}
nos surpreendemos quando ela chega,
ficamos ainda mais estáticos quando ela demora aparecer,
causa arrepios,
a mudança é algo que nos amadurece,
sempre.
carla kassis
{Fevereiro de 2012}
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