Quem era você?
Um olhar castanho,
era isso que eu gostaria
que estivesse aqui
Gostaria que nada estivesse
perdido no tempo,
existe algum fio condutor
que fez com que tudo isso
se perdesse?
Só consigo lembrar de uma sombra,
que dobrava a equina da avenida
cheia de sonhos
e planos
Quem é você?
Você pode me dizer
no que se tornou?
carla kassis
{março de 2014}
Todos os dias você veste sua capa
todos os dias os mesmos sorrisos
a mesma conversa, o mesmo copo vazio
Todos os dias você enfrenta a vida
fingindo que suas marcas não estão expostas
e por onde você passa
rastros de gotas pretas e vivas do seu sangue
vão ficando pelo chão
Todos os dias você veste sua capa
e ela não te serve pra nada.
carla kassis
{maio de 2014}
das alegrias de 1990
quando eu ainda
não conhecia
o amor
depois do sono
quando acordei
haviam peles
e palavras
envoltas
em uma atmosfera
de beleza
que duvidei estar acordada
carla kassis
{março de 2013}
Fevereiro,
Março,
e eu
fomos esmagados,
sem sequer um fio
de luz
sem ar nos pulmões,
no solo seco
frio,
gélido,
ferido,
com flahs de esperanças
cortando
o fim de um dia
...
esquecido.
Tão nobre
que não merecia,
Tão doce
suave
quieto
O olhar débil de Clara,
encontrou braços abertos
em um ninho silencioso
Foi o olhar mais
calmo e sincero
desde 1999
carla kassis
{janeiro de 2014}
- sou mestre em construir casas
que não posso morar depois, disse ela.
e a saudade de vez em quando aparece,
como naquele dia em que dobrei a esquina,
lembra?
- eu gostava de você,
completou ele.
{carla kassis}
janeiro de 2014
poesia,
estado ou sentimento
em que Clara chega ao ápice
do que nunca se teve
é sua cela solitária
o chicote,
o prazer
a calma
que se perde
na alma.
{carla kassis}
janeiro de 2014